Explorar o mundo nunca foi uma escolha para mim; foi herança. Sabe aquela história de
“está no sangue”? No meu caso, é genética pura, herdada do meu pai e da minha avó.
🚗 O começo: Aventuras no Gordini
Minha vida de viajante começou no berço — ou melhor, no banco traseiro de um
Gordini (era um carro… do tempo do êpa). Meu pai dava um jeito de levar de tudo
dentro do carro e encima dele também. Ele colocava a família toda no carro rumo a
Santa Catarina. Como ele era extremamente “econômico”, o hotel era o próprio carro
estacionado na areia, à beira-mar. Minha mãe improvisava um colchão sobre sacolas no
chão do carro, para eu e minhas irmãs dormirmos. Era um aperto danado, mas a
diversão era garantida!
Passávamos as férias de verão acampando em Itapeva. Nada de campings estruturados:
meu pai gostava de se perder entre as dunas. O acampamento era tão peculiar que
apelidamos de“Trapolândia”: uma barraca militar para dormir, uma laranja para a
cozinha e até um “banheiro”, com vaso sanitário e chuveiro. Meu pai, um verdadeiro
Professor Pardal, inventava mil geringonças para garantir nosso conforto nessas
expedições. Que época boa!
🚌 Desbravando a América do Sul
Aos 12 anos, mudei de parceria de viagem, mas mantive o pé na estrada. Comecei a
viajar com minha avó para o Paraguai, Montevidéu e Buenos Aires. Como ela tinha
pânico de avião, cruzamos fronteiras de ônibus. Ali, entre horas de estrada, entendi que
o mundo era grande demais para eu ficar parada em um só lugar.
✈️ Passaporte carimbado e horizontes expandidos
Aos 18, a coisa ficou séria. Com minha mãe, irmã ou amigas, explorei o Brasil, as
Américas e, finalmente, o Velho Continente. A Europa me conquistou de imediato pela
arquitetura, gastronomia e segurança.
Mas o que me conquistou foi percorrer o interior europeu. Não tem preço sair de um
campo de girassóis e, em poucos quilômetros, encontrar lagos cristalinos, castelos e
vilas de contos de fadas. Acho que me apaixonei por esse ritmo mais lento, pelo contato
com a natureza e pela história e cultura em cada detalhe, longe do agito das metrópoles.

