Esse tema foi prioridade quando comecei o blog. Sabe por quê? Muita gente tem medo de viajar para o estrangeiro por não falar outro idioma. Mas será que isso precisa mesmo te travar?
Claro que falar outras línguas ajuda, na vida e nas viagens. Mas não precisa virar um bicho de sete cabeças a ponto de te impedir de conhecer o mundo.
Com um bom planejamento, dá pra reduzir (e muito!) essa barreira.
Hoje, com a internet, tudo ficou mais fácil: dá pra comprar passagens, reservar hospedagem, alugar carro e até usar tradutores gratuitos em segundos.
E tem a nossa parte também: pesquisar sobre o destino, entender um pouco da cultura e se familiarizar com os lugares. Tem muita informação disponível: sites, blogs, vídeos, mapas… é só aproveitar.
Sobre o idioma, existem alguns jeitos simples de driblar essa dificuldade. A seguir, compartilho as 11 que considero mais relevantes:
ANTES DA VIAGEM
1 – GUIAS DE CONVERSAÇÃO
São aqueles livrinhos de bolso com palavras, expressões e frases prontas pra viajantes. A ideia é ajudar você a se virar nas situações mais comuns: pedir informações, tirar dúvidas, fazer compras, pedir refeições ou resolver pequenas emergências.
Não espere manter longas conversas, mas eles oferecem uma ótima sensação de segurança para quem não domina o idioma local e ajudam a evitar muitos perrengues.
Só vale lembrar: é bom ter pelo menos uma noção básica do idioma pra entender a resposta.
Você encontra esses guias em livrarias físicas, lojas online e até em versões digitais gratuitas. Pode usar no celular ou imprimir as páginas mais importantes, escolha a opção que for mais prática para você.
2 – AULAS PREPARATÓRIAS
Quer ganhar mais confiança antes da viagem? Um curso básico do idioma do destino já ajuda muito. Vale optar por escolas de idiomas, aulas online ou professores particulares. Escolha a alternativa que melhor se adapte à sua rotina e ao seu orçamento.
Uma dica simples: pesquise no Google algo como “curso de italiano para viagem em Porto Alegre”. Coloque o idioma de interesse e a cidade onde você mora, e pronto.
Também dá pra aprender bastante de forma gratuita. No youtube, canais como “Englishbay” e “Afrancesados” têm aulas básicas, expressões úteis e dicas práticas voltadas pra quem vai viajar.
Além disso, os aplicativos são excelentes aliados no aprendizado diário. Entre os mais populares estão Duolingo, Busuu e Babbel. Eles ajudam a ampliar o vocabulário e a praticar expressões comuns de forma rápida e divertida.
E, claro, o inglês continua sendo o idioma mais utilizado internacionalmente. Aprender o básico já facilita muito a comunicação em aeroportos, hotéis, atrações turísticas e até em situações inesperadas, independentemente do país que você estiver visitando.

3 – LIVROS EM OUTROS IDIOMAS
Uma forma divertida de praticar o idioma e ainda trazer uma lembrança diferente da viagem é comprar livros, no destino visitado, dos assuntos que você mais gosta.
Eu mesma já trouxe livros de moda, decoração, viagens e, claro, de gastronomia, quem vê até parece que cozinho muito… hah. Além de serem ótimas recordações, também rendem presentes bem originais.
Na França, por exemplo, é comum encontrar receitas típicas francesas em formato de cartão-postal. São baratinhas, ocupam pouco espaço na mala e ainda carregam aquele toque autêntico da culinária local. Você costuma encontrá-las em papelarias, livrarias e lojas que vendem cartões-postais.

Mesmo que você não domine o idioma, vale a pena se aventurar. Ler esses livros, mesmo recorrendo ao dicionário de vez em quando, é uma ótima maneira de se acostumar com as palavras, expressões e o mais importante “o ouvir”.

4 – SEGURO SAÚDE COM ATENDIMENTO EM PORTUGUÊS
Contratar um seguro saúde é indispensável para quem viaja para a Europa e altamente recomendável para qualquer destino internacional. Afinal, ninguém gosta de pensar em imprevistos, mas é muito melhor estar preparado caso eles aconteçam.
Uma dica que considero importante é escolher uma seguradora que ofereça atendimento em português. Pode parecer um detalhe, mas faz toda a diferença se você precisar acionar o seguro em um momento de estresse ou emergência.
Hoje, a maioria das seguradoras permite contato por WhatsApp, telefone, aplicativo ou atendimento online. Por isso, antes de embarcar, baixe o aplicativo da empresa escolhida, faça o cadastro e deixe tudo pronto. Nessas horas, quanto menos complicação, melhor.
Algumas seguradoras oferecem atendimento apenas em espanhol. Particularmente, nunca tive dificuldades quando precisei me comunicar dessa forma, mas cada pessoa tem um nível diferente de familiaridade com outros idiomas. Se essa for uma preocupação para você, vale verificar essa informação antes da contratação.
Minha sugestão é simples: ainda no Brasil, entre em contato com as seguradoras que está avaliando e pergunte em quais idiomas o suporte é oferecido. Esse pequeno cuidado pode ajudar na escolha do plano mais adequado para o seu perfil e evitar dores de cabeça durante a viagem.
5 – GUIAS DE VIAGEM: ÓTIMOS ALIADOS
Outra coisa que aprendi com o tempo foi comprar guias de viagem em outros idiomas. Já trouxe exemplares em português de Portugal, espanhol, italiano e até me arrisquei no francês. Como são línguas de origem latina, é possível compreender muita coisa e, o que não der para entender de imediato, a gente traduz sem grandes dificuldades.
Além de serem excelentes ferramentas de planejamento, esses guias ajudam você a se familiarizar com o idioma. A leitura frequente faz com que certas palavras e expressões se tornem familiares e, quando chega ao destino, a sensação é de que o ouvido já está mais “treinado” para a língua local.
Você encontra esse tipo de guia em praticamente qualquer livraria de Portugal, Espanha, Itália e França, geralmente na seção de turismo. E há mais uma vantagem: além de oferecerem uma grande variedade de editoras e títulos, costumam custar menos do que os encontrados no Brasil.

DURANTE A VIAGEM
6 – GOOGLE TRADUTOR: SEU MELHOR AMIGO NA VIAGEM
A tecnologia veio para nós salvar, e, quando o assunto é viajar sem dominar outra língua, os aplicativos fazem toda a diferença. Com um celular (ou tablet) na mão e alguns apps instalados, você já consegue se virar super bem.
Entre os tradutores, o Google Tradutor é um dos mais completos, e gratuito. Com internet, ele traduz na hora e funciona com texto, voz e até imagem. Olha só como usar no dia a dia:
6.1 -Texto (o mais fácil de todos)
Selecione o idioma de origem e para qual você quer traduzir. Depois, é só digitar a palavra ou frase, pronto, a tradução aparece na hora.
6.2 – Voz (para quando não dá para digitar)
Aqui você tem duas opções:
6.2.1 – Transcrição:
Você fala em português e o app transforma em texto já traduzido no idioma escolhido.
É só clicar no ícone do microfone e começar a falar.

6.2.2 – Conversa:
Perfeita para interações em tempo real. Você fala em português e a outra pessoa escuta na língua dela, e vice-versa.
Pra usar, toque no ícone de conversa (com dois bonequinhos), clique na imagem que parece estrela com 8 pontos, e pronto: é só cada um falar no seu idioma.
6.3 – Imagem (salva na hora do aperto)
Sabe aquele cardápio impossível de entender? É só apontar a câmera!
Clique no ícone da câmera, direcione para o texto, escolha o idioma do cardápio, e aí você aperta em traduzir para ver o cardápio em português.
6.4 – E se ficar sem internet?
Sem drama! Dá para usar o google maps offline. Antes da viagem, abra o app, vá no menu (os três risquinhos no canto superior ou no botãozinho com a letra inicial do seu nome) e baixe os idiomas que você vai precisar. Assim, você continua traduzindo mesmo sem conexão.
Dica de ouro: já deixe tudo baixado e testado antes de sair do Brasil. Na hora do aperto, você só abre o app e resolve rapidinho, sem estresse.


7 – O CONTATO HUMANO ABRE CAMINHOS
Se você é do tipo que, como eu, gosta de um bom tête-à-tête, vai se sair muito bem viajando. Há décadas, pessoas do mundo inteiro deixam seus países em busca de novas oportunidades, e os brasileiros não ficam de fora dessa. Resultado? Você encontra compatriotas espalhados pelos mais diversos cantos do planeta, assim como portugueses, espanhóis, italianos e tantas outras nacionalidades.
E isso ajuda, e muito! Quando surgir uma dúvida, é bem provável que você encontre alguém que fale português ou, pelo menos, consiga se comunicar em um bom e velho “portunhol”. Então, sem vergonha: pergunte. Não importa o idioma, peça ajuda. Você não é o primeiro, nem será o último, a enfrentar um pequeno perrengue de comunicação durante uma viagem.
Seja simpático: cumprimente, sorria, agradeça. Na maioria das vezes, a boa energia retorna rapidamente. E, se não voltar, tudo bem também. Agradeça pela tentativa e siga em frente. Não permita que um momento desagradável atrapalhe a sua viagem.
Se necessário, procure outra ser divino e tente novamente. Faz parte da experiência. Viajar também é aprender a lidar com situações inesperadas e descobrir que sempre existe alguém disposto a ajudar.
8 – A LINGUAGEM CORPORAL TAMBÉM AJUDA (E MUITO!)
Muita gente acredita que se comunicar significa apenas falar ou escrever. Mas, na prática, o corpo também fala — e fala alto! Durante uma viagem, especialmente quando você não domina o idioma local, a linguagem corporal se torna uma grande aliada.
Vale quase tudo: apontar, desenhar, fazer gestos, usar expressões faciais, imitar situações e até recorrer a uma boa mímica. O importante é conseguir transmitir a sua mensagem e obter a informação de que precisa.
Agora, uma confissão sincera: quando fico muito, mas muito desesperada, eu choro mesmo! E não é drama, não. É aquele choro de quem ficou sem saber o que fazer por alguns minutos. O curioso é que, quase sempre, aparece um ser divino disposto a ajudar e, em pouco tempo, tudo se resolve.
No fim das contas, a comunicação vai muito além das palavras. Um sorriso, um gesto gentil ou uma tentativa de ajudar costumam ser entendidos em qualquer lugar do mundo.
9 – USE A ESCRITA PARA SE COMUNICAR
Já perdi a conta de quantas vezes recorri a esse truque: no táxi, no hotel, em restaurantes e até no meio da rua.
Sempre ando com o endereço ou o nome do lugar para onde quero ir. Quando preciso pedir ajuda, basta mostrar o papelzinho, o mapa ou apontar no celular. Simples, prático e funciona muito bem!
Se você é mais ligado à tecnologia, melhor ainda: deixe tudo salvo no celular. Endereços, nomes de atrações, reservas, estações de trem e até prints dos locais que pretende visitar. Na hora do aperto, isso pode fazer toda a diferença.
10 – GUIAS DE TURISMO: UMA MÃO NA RODA DURANTE A VIAGEM
Uma excelente forma de driblar a barreira do idioma é contar com a ajuda de um guia de turismo. Você pode contratar um guia particular, participar de passeios em grupo ou apostar nos famosos free tours, muitos deles oferecidos em português ou espanhol.
Além de facilitar, e muito, a comunicação, você conhece a história, a cultura e as curiosidades do destino de uma forma muito mais rica e interessante.
Porque, convenhamos: visitar um lugar apenas para tirar fotos é legal. Mas entender como ele surgiu, descobrir fatos curiosos e compreender seu passado e presente transforma completamente a experiência.
Eu, por exemplo, quase sempre participo de free tours em espanhol, nunca em português. Com o tempo, fui me acostumando ao idioma e hoje consigo entender muitas palavras. E quando surge alguma dúvida? Pergunto sem vergonha nenhuma. Afinal, viajar também é aprender, e ninguém é obrigado a saber tudo.
11 – OLÁ, PORTUGAL! CHEGUEI…
Se você está planejando sua primeira viagem à Europa e sente um certo receio de viajar sem falar outros idiomas, uma ótima opção é começar por Portugal. Apesar das pequenas diferenças entre o português “de lá” e o português “de cá”, você certamente vai se sentir mais à vontade.
Essa primeira experiência ajuda a ganhar confiança, conhecimento e autonomia para as próximas aventuras pelo Velho Continente. E, depois de Portugal, quem sabe não chega a vez da Espanha?
Resumindo…
No fim das contas, deixo uma pergunta: vale a pena continuar alimentando o medo de viajar sem falar outro idioma? Ou não seria melhor encarar esse desafio e finalmente realizar o seu sonho?
Falo por experiência própria. Sou daquelas pessoas que conseguem se virar em umas quatro línguas (chique, né?), todas misturadas na mesma frase. Começo em inglês, escorrego para o italiano, arrisco um espanhol e, quando já não sei mais o que dizer, volto para o bom e velho português. Às vezes, sai até um portunhol daqueles que nem eu mesma entendo direito. Tenho pena de quem tenta acompanhar… hihi!
Mas sabe o que é pior do que pagar esse pequeno mico? É deixar de conhecer lugares incríveis e limitar seus horizontes por causa de uma barreira que, na verdade, não é intransponível.
Viajar é viver experiências. As lembranças ficam e, convenhamos, as melhores histórias quase sempre nascem dos perrengues, das situações inesperadas e daqueles momentos engraçados que rendem boas gargalhadas anos depois.
Por isso, permita-se. Derrube essa barreira, encare o mundo e viva as suas próprias aventuras. Sem medo de ser feliz, mas, claro, com um bom planejamento na bagagem.
E aí, você fala algum idioma ou é como eu, que viaja com alguns idiomas, todos básicos?
O “causo” de mainha aos 72 anos
Em 2008, eu, mainha e uma amiga estávamos em Paris, hospedadas em um apart-hotel no bairro Les Halles, que, na minha opinião, é um dos melhores bairros em termos de localização. Fica praticamente atrás do Museu do Louvre (uns 600m de distância) e tem tudo necessário por perto, inclusive um ótimo shopping dentro da estação de metrô de mesmo nome, o Les Halles.
No dia em que fui visitar o Palácio de Versalhes, mainha decidiu não ir. Com 72 anos e uma vida inteira viajando comigo, ela já tinha aprendido a se virar muito bem. Comunicativa como só ela, além do português, arranha um italiano (coisa de descendente), é decidida e super bem orientada.
Quando voltei para o apart-hotel, no fim da tarde, ela já tinha feito a festa: caminhou pelos arredores, descobriu um supermercado e fez umas comprinhas básicas. Nos fundos do prédio, encontrou um jardim lindo da Igreja Saint-Eustache, onde ainda assistiu a uma missa em latim.
Não satisfeita, almoçou sozinha em um restaurante ali por perto e conseguiu pedir tudo direitinho (o cardápio tinha fotos dos pratos… esperta!). Pagou a conta, deu mais uma voltinha e ainda entrou em lojinhas árabes. Em uma delas, sentou, puxou conversa e ficou batendo papo com os comerciantes, aliás, é impressionante como muitos comerciantes árabes entendem bem português (não me pergunte como!). Ah… e tudo isso sem mapa nenhum.
Resumo da história. Vai encarar a véia?
